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Jornal GGN – A ativista política Dulce Maia de Souza, que já foi tratada pelo colunista Elio Gaspari como um simples codinome da “terrorista” Dilma Rousseff,  é, na verdade, uma pessoa de carne e osso. Participou da luta armada, foi presa, torturada e exilada, e se esforça, nos últimos anos, para manter funcionando uma escola profissionalizante na cidade de Cunha, no interior de São Paulo.

Batizada com o nome do seu irmão – o famoso publicitário Carlito Maia, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e autor de slogans marcantes como “Lula-lá”, “oPTei” e “Sem medo de ser feliz” – a escola não recebe nenhuma ajuda do governo e se mantém graças às boas relações da dona Dulce, que tem amigos no meio artístico dispostos a ajudar com shows beneficentes e doações (de dinheiro e alguns itens que ela coloca em leilão).

Recentemente, ela conquistou o apoio do Senac, que ministrou, no ano passado, cursos para Jardineiro, Auxiliar Administrativo e Gestor Ambiental e que este ano deve oferecer também aulas de Gastronomia e Hotelaria.

Não conseguiu, no entanto, arrecadar o dinheiro necessário para fazer as edificações no terreno, como as salas de aula, biblioteca, cozinha e a casa do caseiro. “Na época, em 2009, quando eu fiz o projeto, a construção sairia por uns 300 mil reais. Hoje deve estar em uns 800 mil, não chega a um milhão”, estima dona Dulce.

As duas edificações atuais já existiam no terreno, e foram reformadas. O terreno, aliás, é uma história a parte. Ele pertencia aos madeireiros, que exploravam o que podiam na região que hoje é o Parque Estadual da Serra do Mar e voltavam à propriedade para processar e vender a madeira. As terras acabaram desapropriadas e entregues à administração do parque. Mas o sítio, de apenas dois alqueires, não interessou, e ficou com a Secretaria de Meio Ambiente.

Quando localizou aquele espaço, plano, no meio do mar de morros que é Cunha, a apenas 300 metros da rodovia, a 13 km da cidade e 32 km de Guaratinguetá, dona Dulce foi pedir ao Governo do Estado para construir ali sua escola. Quem a atendeu foi o vice-governador da época, Alberto Goldman, e depois o governador José Serra. Foi ele, aliás, que sugeriu o nome da escola. Dona Dulce diz que não tinha essa pretensão, mas Serra insistiu: “É merecido”, disse. E publicou no Diário Oficial a concessão do terreno.

Ao ser recebida com tamanha deferência pelos adversários políticos, ela pensou que talvez conseguisse uma abertura para conversar com o governo federal e viabilizar o projeto. A presidente Dilma Rousseff – com quem ela dividiu uma cela no período da ditadura – esteve na região, em campanha. “Dulce, Dulce, Dulce Maia, ela disse quando me viu, e me abraçou muito. E eu falei: Dilma, você está dizendo na sua campanha que quer fazer escolas técnicas, eu tenho uma pronta. Mas eu não consigo. Não consigo chegar até Brasília. É uma dificuldade sem tamanho. Quem mais me ajudou até agora, por incrível que pareça, foi o PSDB”.

A estrutura da escola é enxuta. São apenas duas funcionárias: uma secretária e uma faxineira. Os professores são voluntários ou pagos pelas instituições que representam, como é o caso do Senac. Muitos dos móveis também são herdados da entidade.

Nos últimos três anos, a escola já deu oficinas para mais de mil jovens. Além disso, cada curso do Senac tem 27 alunos. Mas a meta da Dona Dulce é ampliar muito esse número e atender um público vindo de Bananal até São Luiz do Paraitinga. A intenção é que sejam de 400 a 500 alunos por ano. 100 deles seriam internos na escola e os demais estudariam em período integral, mas dormiriam em casa. “Eu não quero fazer uma escola para os filhos da pequena burguesia de Cunha. Os filhos dessa gente podem fazer escola de arte em Lorena, Taubaté ou São José dos Campos. Aqui é pra gente simples. Inclusive, quando vêm, eles ficam muito impressionados. Perguntam: quanto é a inscrição? Não é nada. Quanto é a matrícula? Não é nada. Quanto é a mensalidade? Não é nada. Até o material eu forneço todo”.

Ainda assim, ela precisa de ajuda. O pequeno auxílio – cerca de dois mil reais – que recebia da Associação Brasileira de Anistiados Políticos (ABAP), ela não recebe mais. “Era um dinheiro que mantinha a escola. Hoje quem me ajuda é o Chico Buarque de Holanda, e outros artistas, amigos, que acreditam no projeto”.

“Eu me sinto bem de ter homenageado meu irmão dessa forma. Se ele fosse vivo, estaria tremendamente feliz em ver o movimento da escola. Ele estaria me ajudando muito. Ele não cobrou nada, nunca, por essas campanhas políticas que fez. Se tivesse cobrado, teria deixado dinheiro pra eu fazer essa escola muito maior até. O Carlito criou algumas frases que são incríveis para os dias de hoje. Uma é o lema da escola: ‘Nós não precisamos de muita coisa, somente uns dos outros’. Disse também: ‘Quando a esquerda começa a contar dinheiro, endireita’”.

Dona Dulce é uma guerreira, uma sobrevivente, que viveu uma vida dura e continua a perseguir um sonho. ”Eu estou com 76 anos. Mas vivi 300. Saí do Brasil banida, num dos sequestros, do embaixador alemão. Eu saí muito arrebentada. Fui a primeira mulher presa, no período da luta armada. Eu fui torturada lá no quartel geral do Exército, na PE [Polícia do Exército] ali da Abílio Soares. Eu saí daqui com 38kg. Chegando na Argélia me mandaram pra Cuba, em tratamento de saúde, até hoje estou em tratamento do rim, destroçaram meu rim. Isso é uma coisa que eu levo hoje meio na esportiva até. Eu vivi em três continentes. Vivi no Chile, durante o período de Salvador Allende, vivi em Cuba, cheguei a conhecer Fidel Castro, vivi em Portugal, depois do 25 de abril [Revolução dos Cravos], e fui viver na Guiné-Bissau, lá na África, porque eu conheci Amílcar Cabral, o pai da independência da Guiné e Cabo Verde. Então, foi muito rico o meu exílio também. Eu não sou das que ficam chorando pelo passado não. Muito pelo contrário, eu acho que o passado foi um grande aprendizado. Eu trabalhei muito lá fora, e hoje eu faço do meu presente uma passagem do meu passado para um futuro, que é essa escola”.

Aqui está a alma de Dulce Maia de Souza e seu legado. Para que exista um futuro a escola precisa de doações, precisa de almas comprometidas com a alma que a criou. O trabalho é lindo, bem como linda sua luta pela manutenção do espaço e profissionalização de jovens carentes das comunidades no entorno. Os que puderem e quiserem ajudar podem escrever para Dulce, no endereço escolacarlitomaia@uol.com.br.

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escolas

(Joás Ferreira)

Por acreditar que a educação sempre deverá (ou deveria) estar à frente de qualquer iniciativa, pública ou privada, que tenha por objetivo mudar a nossa sociedade e, assim, estabelecer um ciclo virtuoso e próspero de desenvolvimento, a Escola Carlito Maia (ECM) vem se dedicando a essa lide, que busca qualificar a população de baixa renda do município de Cunha (SP) e das cidades da região.

A ideia é dar oportunidade para que, em especial os adolescentes (mas não exclusivamente), tenham alternativas de sobrevivência e permaneçam em sua própria terra natal, ao lado de familiares e amigos, com condições de vida digna e produtiva.

A escola, no entanto, nunca quis ter um caráter meramente tecnicista, porque também acredita que a melhor forma de profissionalizar, principalmente jovens, é formá-los amplamente, garantindo sua inserção no mundo da cultura e, por consequência, no mundo do trabalho. Buscar treiná-los apenas visando suprir o mercado de trabalho é, na verdade, um grande e perverso pragmatismo, ainda mais quando levamos em conta os meninos e meninas de Cunha, inspiração desse projeto de ensino, que têm “nome, endereço e vizinhança”, como dizia Paulo Freire, em relação à especificidade de cada escola.

Em cerca de quatro anos de atividades, já passaram pelos bancos escolares da Carlito Maia perto de 1.200 alunos, que foram enriquecidos com os ensinamentos de diversas áreas do conhecimento profissional, cultural, artístico e humanístico.

Para embasar uma de suas finalidades-conceito, a escola batalhou e conquistou a importante e necessária parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), de Guaratinguetá (SP), por meio da qual já foram desenvolvidos, em 2014, nas instalações da ECM, os cursos de Jardineiro, Auxiliar de Escritório e Vendedor, beneficiando cerca de 70 alunos e alunas. Para este ano (2015), já estão programados os cursos de Monitor Ambiental, Auxiliar Administrativo e mais um de Jardineiro. Todos esses cursos, com duração de dois meses, além de garantir a reconhecida qualidade de ensino do Senac, conferem certificados de conclusão válidos em todo o território nacional.

A cidade tem grande potencial de jovens que necessitam de qualificação para o trabalho e motivação para permanecerem em Cunha. Só uma das escolas estaduais de Cunha tem mais de mil alunos, dos quais nem 10% dão continuidade aos estudos, depois do ensino básico (fundamental e médio). A maioria, pela falta de perspectivas, acaba por se ocupar em subempregos, na própria cidade e em cidades vizinhas, ou ficam sem ter o que fazer, tornando-se alvo fácil para as más companhias, as drogas e outros delitos.

A Escola Carlito Maia, desde a fundação, vem atuando por meio de sua unidade urbana, localizada no centro de Cunha, com cursos e oficinas culturais e artísticas, em geral, desenvolvidos por professores e profissionais voluntários. Luta, com dificuldade, para dar seguimento aos seus afazeres, sobrevivendo de poucas doações, de trabalho voluntário, de projetos de captação de recursos e, vez por outra, até da promoção de shows musicais, em que renomados artistas – “amigos da escola” – se apresentam sem cobrar cachê, revertendo o valor arrecadado na bilheteria do espetáculo para a instituição. Foi o caso de “A Festa do Carlito”, realizado recentemente (10 de dezembro de 2014), no Teatro Oficina, na capital paulista.

Mas não fica e nem poderia ficar por aí. Porque, apesar das dificuldades, a escola tem sonhos e planos para o futuro imediato.

O maior deles é colocar em prática a construção e o funcionamento de uma nova unidade de ensino, na zona rural, num sítio que já foi cedido para esse uso, pelo governo do Estado de São Paulo, no Bairro do Paraitinga, em Cunha. O plano, nesse caso, envolve a recuperação de algumas edificações que já existem no local e a construção de novos prédios, que complementarão as necessidades físicas da escola.

Essa unidade escolar também terá a parceria pedagógica do Senac. Haverá um prédio de alojamento para abrigar 100 alunos internos (de ambos os sexos) e outros 200, que estudarão em regime semi-interno. Com isso, a ECM pretende atender à demanda de ensino profissionalizante existente em todo o Alto do Vale do Paraíba – Cunha, Lagoinha, São Luís do Paraitinga, Paraibuna e Bananal.

Inicialmente, os cursos previstos serão dirigidos para as áreas de gastronomia, hotelaria e turismo rural. Todo o Alto Vale tem grande vocação para o turismo, graças às suas belezas naturais, com cachoeiras, grandes reservas de mata nativa, parques estadual e nacional, montanhas e clima temperado muito agradável. A região também é rica em pousadas e restaurantes de excelente qualidade, que certamente verão com bons olhos a formação dessa mão de obra, especialmente preparada para atuar nesses estabelecimentos.

Há tratativas também com outro possível parceiro, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), para cursos técnicos específicos para a área rural. Todos esses cursos visam a dar condições de evolução tanto para os alunos que deles se beneficiarem, como para os estabelecimentos comerciais e para a região como um todo.

Dados estatísticos de municípios que compõem o Alto Vale do Paraíba

Município de Cunha (SP)
População estimada 2014 (1) 22.167
População 2010 21.866 (2)
Área da unidade territorial (km²) 1.407,250
Densidade demográfica (hab/km²) 15,54
IDHM 2010 0,684
Gentílico cunhense

(1) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

(2) 10.702 – mulheres e 11.164 – homens

Lagoinha (SP)
População estimada 2014 (1) 4.960
População 2010 4.841 (2)
Área da unidade territorial (km²) 255,472
Densidade demográfica (hab/km²) 18,95
IDHM 2010 0,693
Gentílico lagoinhense

(1) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

(2) 2.362 (mulheres) e 2.479 (homens)

São Luís do Paraitinga (SP)
População estimada 2014 (1) 10.726
População 2010 10.397 (2)
Área da unidade territorial (km²) 617,315
Densidade demográfica (hab/km²) 16,84
IDHM 2010 0,697
Gentílico luisense

(1) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

(2) 5.079 (mulheres) e 5.318 (homens)

Paraibuna (SP)
População estimada 2014 (1) 18.083
População 2010 17.388 (2)
Área da unidade territorial (km²) 809,576
Densidade demográfica (hab/km²) 21,48
IDHM 2010 0,719
Gentílico paraibunense

(1) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

(2) 8.551 (mulheres) e 8.837 (homens)

Bananal (SP)
População estimada 2014 (1) 10.728
População 2010 10.223 (2)
Área da unidade territorial (km²) 616,426
Densidade demográfica (hab/km²) 16,58
IDHM 2010 0,733
Gentílico bananalense

(1) Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais.

(2) 5.172 (mulheres) e 5.051 (homens)

Estas são algumas das construções que já existem no sítio que a Escola Carlito Maia recebeu do governo do Estado de São Paulo, no Bairro do Paraitinga, em Cunha (SP), para a implantação de mais uma unidade escolar, em parceria com o Senac. Esses prédios serão restaurados e outros serão construídos.
Haverá um prédio de alojamento para abrigar 100 alunos internos. Outros 200 estudarão em regime semi-interno. A escola pretende atender à demanda de ensino profissionalizante em todo o Alto do Vale do Paraíba.
Inicialmente, os cursos previstos serão nas área de gastronomia, hotelaria e turismo rural. Mas há tratativas com o Senar, para cursos técnicos para a área rural, também.

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Hoje (15 h), é dia de mais uma formatura na Escola Carlito Maia. Mais de 20 alunos receberão os certificados do Curso de Auxiliar de Escritório, ministrado pelo Senac Guaratinguetá. Parabéns aos alunos, aproveitem bem os ensinamentos, e obrigado ao Senac e à Carlito Maia!

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Depois das férias de final e início de ano, mais alunos procuraram e se inscreveram nas oficinas de arte que estão acontecendo (até abril), na Escola Carlito Maia.
São oficinas sobre escultura, desenho, pintura em mural, arte em madeira, teatro e artesanato, com ótimos professores. Trata-se de uma parceria entre a escola, a Secretaria da Cultura e a ONG Caminhos de Cunha..
Ligue para a escola, para saber se tem outras vagas: (12) 3111-1796.
Em breve divulgaremos a programação dos cursos do Senac, outro parceiro da Carlito Maia. Os cursos, com diploma válido em todo o território nacional, serão os seguintes: Jardineiro, Auxiliar Administrativo e Monitor Ambiental.

Informe-se na escola(12) 3111-1796.

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